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“Taquara” - Poemas e Lembranças (2008),  também é um trabalho de elaboração de pensamentos introspectivos do ser perante o mundo e suas relações com o seu passado, fases da vida, lembranças e aprendizado nos seus aspectos humanístico, romântico e social.

Taquara traz a semelhança com a taquara em si, que tem farpas e fere a mão de quem nela toca.
O livro, por sua vez, remete às cutucadas e espetadas na alma e na memória que nos levam à reflexão, ao arrependimento e à revitalização de dores, perdas, e das difíceis lições ensinadas pela vida.
Fere e faz doer, instigando o aprendizado pelo modo mais árduo: o do sofrimento.
Mas também, da taquara se faz a vareta da pipa que a sustenta em vôo. Assim, o livro Taquara ofereçe a esperança do futuro feliz pelo que se aprendeu no passado. A sustentação para voar com a certeza de poder se manter no céu.
Taquara é, na estrutura, o brinquedo (a pipa que faz brilhar os olhos da criança) e, na forma, os poemas conformam um quadro colorido que plana nas alturas dos nossos sonhos!

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Taquara

Nada toca mais as minhas lembranças do qeu uma cerca de taquara.

Era desde manhazinha até de tardinha e lá estava eu a brincar com homenzinhos de plástico a escalar a cerca de taquara que separava os quintais da minha casa e a do vizinho.

De vez em quando, um ou outro homenzinho caía do outro lado da cerca e lá tocava eu a abrir um buraco no cercado e resgatar o brinquedinho.

Hoje, eu percebo quantas cercas ainda existem no mundo, feitas não de taquara, mas com os meus limites e medos. E eu me pego ainda brincando com os meus sonhos nessas cercas, a tentar escalá-las e transpor minhas próprias fronteiras...

De vez em quando, algum dos meus sonhos vai-se embora como se caísse do outro lado...

Aí eu não sei o que fazer. Ainda não aprendi a fazer buraco nesta cerca. Há farpas na taquara que me metem medo...

O limite dos meus sonhos sou eu mesmo.

 
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